Por Márcio Martinho B. de Almeida.
A mobilidade é importante para o ser humano desde o surgimento do homem
no planeta. A história do transporte se confunde com a história do homem
(MERENNÉ, 2013). Na fase nômade o homem se espalha no espaço, ora carregando
suas armas primitivas, sozinho ou em bando. Este fenômeno ficou registrado na
história através da paleontologia, dos símbolos rupestres, da cartografia, que
é a percepção de se dominar o espaço conhecido, ora em fragmentos de barro, ora
em paredes nas cavernas. O homem visualizava seu horizonte e o registrava para
poder se deslocar. Os primeiros registros de caminhos seguidos surgem então, na
necessidade de se encurtar distancias. Com a acomodação do homem num lugar só,
a agricultura e criações foram se configurando em forma de sobrevivência nos
locais fixos. Embora não se tenha registros da data precisa onde começaram as
comunicações entre tribos, os excedentes produzidos começam a serem
intercambiados. É fácil imaginar que estes excedentes são transportados entre
tribos, mais tarde entre vilas, depois cidades e por aí adiante. É difícil de
definir quem surge primeiro: o comércio ou o transporte? Os dois elementos são
fundidos, sendo um pertencente ao outro, um não existindo sem o outro, seja de
forma física seja através de troca de comunicação. Pessoas e mercadorias se
transportam, A comunicação é transportada ora pelo sistema de boca a boca, ora
por cartas e telegramas no passado recente, ora por cabeamento, conforme
acontece na atualidade. O fato é que o movimento de pessoas, mercadorias e
informações foram componentes na vida econômica, social e cultural da nossa
civilização (RODRIGUE, 2013).
A conceituação da
geografia do transporte é antiga e trabalhada por diversos autores em diversos
artigos (LUZ, 2010) e mostra a importância da matriz para o estudo do espaço
como modelador:
Os Transportes constituem um elemento geográfico de
primeira importância que concretiza o empreendimento do homem e seus sistemas
econômicos e políticos, às vezes ideológicos, sobre o espaço de forma menos ou
mais intenso. As redes de transportes materializam as relações de equilíbrio
entre os diferentes agentes que tendem a adquirir certo controle do espaço
terrestre (RITTER (1971,
p.6), citado por LUZ (2010)).
A
dinâmica da mobilidade, de certa forma causa transformações e será alvo da
compreensão da geografia no que diz respeito á organização do espaço nos
diversos níveis do sistema socioeconômico, desde deslocamentos, fluxos ativos,
desenvolvimento de infraestruturas (PEREIRA, MORAIS e FERREIRA, 2012). No geral,
é instrumento de estudo essencial no ordenamento e planejamento territorial.
Ainda a definição sobre esta subdisciplina da Geografia Econômica, conforme Rodrigue
(2013):
Geografia de transporte é uma subdisciplina
da geografia preocupado com a mobilidade de pessoas, mercadorias e informações [...]. Procura-se compreender a organização espacial da mobilidade,
considerando seus atributos e limitações, como eles se relacionam com a origem,
destino, extensão, natureza e propósito dos movimentos.
O tema transporte e suas demarcações acompanha a evolução da
sociedade desde que o homem precisou se deslocar no espaço, ora para exploração
de novos territórios, procurando locais de fixação para sua sobrevivência, ora
para comercializar. Ouvimos falar sempre em “rota comercial” que se configuram
desde o mundo antigo, sendo o principal motivo de muitas formações urbanas.
Partindo deste pressuposto, o homem sempre procurou encurtar distâncias com o
menor custo possível (MERENNÉ, 2013, pg. 09). Ainda acerca da importância do
tema para a geografia, o autor cita que, por ser transporte de importância
multidisciplinar, está no centro das discussões geográficas:
O transporte é tanto o alfa e o ômega da organização da maioria das atividades, seja
agricultura, indústria, turismo ou serviços [...] O
transporte é um setor de negócios integral com a sua própria lógica de organização espacial, suas
restrições de localização e impactos sobre outras atividades (MERENNÉ, 2013, pg. 09).
Na
geografia econômica, o transporte traz conceitos espaciais como os nós
confluentes entre rotas, redes ramificadas interagindo com epicentros fixos,
locais onde há esta interação, interferências no meio físico e socioeconômico. Então,
os fatores localização e distancia serão os primeiros elementos indispensáveis
para pensar geografia econômica na ótica da circulação. A escolha de um
determinado modal dependerá de fatores operantes de local, da escala, das
características e qual função se atribuirá.
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