sexta-feira, 15 de março de 2019

As lagoas são Áreas de Preservação Permanente - APP

As lagoas I

 

                A atividade econômica mais forte em nossa região, sem dúvida é o turismo. Por conseguinte, nossas referências naturais são as maiores riquezas. O Brasil tem um código florestal dos mais completos do mundo. Ensaio isto porque surgem muitas dúvidas em relação ao que pode e o que não pode se fazer ao redor das lagoas. A constituição federal (inciso III, § 1º, do art. 225) define o que é Área de Preservação Permanente e o código florestal (Lei Federal no 4.771, de 1965) regula bem a questão de ocupação e classifica os ambientes de lagoas, entre outros como APPs (arts. 2º e 3º do código Florestal). Ela diz:
“as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de:
a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20 (vinte) hectares de superfície, cuja faixa marginal será de 50 (cinquenta) metros;
b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;”
                Para não causar pânico em quem já está instalado nas lagoas, há algumas regras a ser seguidas. É permitido para uso de pessoas e animais para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental. Também estão liberadas atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural fixada até julho de 2008. Também propriedades particulares consolidadas antes da promulgação da lei.
                O ideal mesmo é preservar pois as lagoas são bem de todos.

Gênese da ciência humana

             
Geografia é a análise da complexidade do espaço. É a busca da representação perfeita da relação dos elementos universais e a compreensão do ser deste universo. As teorias geográficas que regem o universo tentam auxiliar na compreensão individual do homem, orientando-o na da sua colocação e objetivo neste espaço. A percepção espacial do indivíduo depende de fatores contidos em si e tão somente em si, como colocou Immanuel Kant - Kritik der reinen Vernunft – 1781-, afirmando que o tempo e espaço são percepções a priori e fazem parte da essência do homem (será?).
Para introduzir a análise desta proposta, mostra-se a intensão quanto à relação entre Filosofia, História e Geografia, dentro do contexto da geofilosofia clássica que deu a base para o pensamento ocidental (Séculos IV e III AC).
O pensamento filosófico (filosofia), estudo do tempo (História) e do espaço se fundem para formar o pensamento ocidental e, mesmo sem aprofundarmos nas questões citadas, esta função comanda nossas vidas até hoje. Nossos antepassados explicam muito os conflitos contemporâneos que vivemos hoje desde “virtude” em Sócrates, “mito das cavernas” em Platão e “as classes” de Aristóteles. O desafio maior nosso é se apegar a leitura. É esta que trará conhecimento e compreensão.

Quinze anos do furacão Catarina

 
                Sentindo a dor que nossos irmãos mineiros passam pela catástrofe antrópica estúpida faço assim um ponto de análise. Muitos acham que temos privilégio de habitar Santa Catarina pensando que nosso Estado é um dos lugares mais seguros devido ao seu desenvolvimento e características naturais específicas. Entretanto não podemos esquecer que, também estamos sujeitos aos destemperos da natureza e consequentemente ficamos a mercê de perdas. Em 24 de maio faz quinze anos que o sul de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul foi assolado pelo fenômeno climático “Catarina”. Apesar de nossos profissionais do clima, excelentes nas previsões meteorológicas, não podemos jamais pensar que tal condição não voltará a acontecer. Na época a tragédia foi amenizada pela nossa defesa civil, portanto hoje a pergunta fica: Será que nosso poder público continua atento a estas questões de prevenção a fim de evitar danos à nossa população? Esperamos que sim. A dinâmica da natureza é incontrolável e podem passar anos dias ou horas, mas o fenômeno do furacão Catarina pode voltar a nos assombrar. Por enquanto ficamos com nosso lamento pelo que aconteceu em Minas Gerais e rezemos para que o povo de lá se recupere, se é possível.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Sobre a saudade de um falecido

de Márcio Martinho de Almeida.

O "não estar mais" faz parte do conceito do ser humano desde o início da existência (Ullmann,1999). Isso me fez refletir à bem da verdade, que este medo ilógico da morte não faz sentido racional. Não éramos nada antes de nascer e não seremos nada depois de findarmos a ser para Deus, o que não resolve nosso medo do desconhecido. O tempo que perdemos não é mais nosso... Já não faz parte do que somos hoje, a não ser a experiência... Entretanto não existirá mais. Bom, o negócio é caminhar até o fim da vida. Por mais curta que seja ela nos é completa... Nem reclamamos disso, ok? Um falecido... Saudades... Não sai do círculo... Apenas se modifica e nos modifica.



ULLMANN, Reinholdo Aloysio."A escatologia em Platão e Plotino". In: Revista Brasileira de Filosofia. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia, v. XLIV, fasc. 194, 1999. p. 211-231

A Idade Média foi tão ruim assim?

Por Márcio Martinho de Almeida.

Como ratos da peste negra, seguimos encantados e desorientados o flautista de Hamelin. É o ópio dos idiotas. Não dá pra negar que o sentido da humanidade na atualidade está se afastando dos valores cristãos do que era proposto nos primórdios. Após tanta perseguição, a tendência do cristianismo é ser varrido, apagado da civilização. Dos séculos XVI a XIX, os conceitos históricos, quando citam a Idade Média como "era das trevas" trás uma conotação preconceituosa. Afinal a Santa Igreja é acusada de atrasar o desenvolvimento humano em 1000 anos escondendo o conhecimento greco-romano dos grandes pensadores do mundo clássico. Ignora-se aí a produção de conhecimento da patrística e escolástica. Mas quem protegeu o ocidente das atrocidades bárbaras quando o império romano sucumbiu? Quem organizou o povo para que não se desgarrasse que sua natureza boa, se é que um dia existiu tal natureza? A igreja cometeu erros como todos os segmentos sociais cometeram, entretanto é motivo para que seja culpada por todos os males do mundo?

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pensar Geografia

Por Márcio Martinho B. de Almeida.
 
             A geografia carrega a responsabilidade de compreender o espaço em que vivemos e evoluímos dentro do contexto espaço e tempo. Este espaço está entrelaçado entre a compreensão da percepção do ser e o concreto real onde o movimento do mundo circunda. Aparecem elementos geográficos entrelaçados, auxiliando com técnicas de como construir representações no plano em uma infinidade de escalas, tendo a necessidade de qualificação e quantificação dos agentes atuantes na paisagem, sendo um valor dos mais importantes é a ação antrópica. A construção de teorias e leis baseadas na junção do pensamento geográfico se dá de forma lenta e paralela a outras áreas do conhecimento, buscando sempre modos de satisfazer a sede humana de saber. Na antiguidade, a procura da definição de um mundo desconhecido, levou o homem a viagens exploratórias, observando o universo com curiosidade insaciável, formulando conceitos ora possíveis, ora nem tanto. Mais tarde, em uma das concepções, tendeu-se a definir que a interação do ser com a natureza deve ser analisada em uma grandeza escalar, sendo o homem como parte da natureza ou o homem como agente modificador, ofertando embasamento para a geografia moderna. Houve épocas que se trabalhou o espaço geográfico de forma matemática, tendo na frieza dos números a incumbência de explicar as ocorrências no contexto tão dinâmico que é a vida. Como a vida não pode se representar apenas por números, se olhou então para o humano, aprofundando cada vez mais a geografia nas ciências humanas, lançando o homem na responsabilidade das causas do seu mundo e sua sociedade. O animal homem passa a ser designado, de forma geral para comandar as ações de seu meio e causas naturais são interpretadas de acordo com o eixo central humano. Tudo que ocorre no universo circunda a vida humana.

Conceito de Geografia do Transporte

Por Márcio Martinho B. de Almeida.
                    A mobilidade é importante para o ser humano desde o surgimento do homem no planeta. A história do transporte se confunde com a história do homem (MERENNÉ, 2013). Na fase nômade o homem se espalha no espaço, ora carregando suas armas primitivas, sozinho ou em bando. Este fenômeno ficou registrado na história através da paleontologia, dos símbolos rupestres, da cartografia, que é a percepção de se dominar o espaço conhecido, ora em fragmentos de barro, ora em paredes nas cavernas. O homem visualizava seu horizonte e o registrava para poder se deslocar. Os primeiros registros de caminhos seguidos surgem então, na necessidade de se encurtar distancias. Com a acomodação do homem num lugar só, a agricultura e criações foram se configurando em forma de sobrevivência nos locais fixos. Embora não se tenha registros da data precisa onde começaram as comunicações entre tribos, os excedentes produzidos começam a serem intercambiados. É fácil imaginar que estes excedentes são transportados entre tribos, mais tarde entre vilas, depois cidades e por aí adiante. É difícil de definir quem surge primeiro: o comércio ou o transporte? Os dois elementos são fundidos, sendo um pertencente ao outro, um não existindo sem o outro, seja de forma física seja através de troca de comunicação. Pessoas e mercadorias se transportam, A comunicação é transportada ora pelo sistema de boca a boca, ora por cartas e telegramas no passado recente, ora por cabeamento, conforme acontece na atualidade. O fato é que o movimento de pessoas, mercadorias e informações foram componentes na vida econômica, social e cultural da nossa civilização (RODRIGUE, 2013).
            A conceituação da geografia do transporte é antiga e trabalhada por diversos autores em diversos artigos (LUZ, 2010) e mostra a importância da matriz para o estudo do espaço como modelador:
 
Os Transportes constituem um elemento geográfico de primeira importância que concretiza o empreendimento do homem e seus sistemas econômicos e políticos, às vezes ideológicos, sobre o espaço de forma menos ou mais intenso. As redes de transportes materializam as relações de equilíbrio entre os diferentes agentes que tendem a adquirir certo controle do espaço terrestre (RITTER (1971, p.6), citado por LUZ (2010)).
 
            A dinâmica da mobilidade, de certa forma causa transformações e será alvo da compreensão da geografia no que diz respeito á organização do espaço nos diversos níveis do sistema socioeconômico, desde deslocamentos, fluxos ativos, desenvolvimento de infraestruturas (PEREIRA, MORAIS e FERREIRA, 2012). No geral, é instrumento de estudo essencial no ordenamento e planejamento territorial. Ainda a definição sobre esta subdisciplina da Geografia Econômica, conforme Rodrigue (2013):

 

Geografia de transporte é uma subdisciplina da geografia preocupado com a mobilidade de pessoas, mercadorias e informações [...]. Procura-se compreender a organização espacial da mobilidade, considerando seus atributos e limitações, como eles se relacionam com a origem, destino, extensão, natureza e propósito dos movimentos.

           
            O tema transporte e suas demarcações acompanha a evolução da sociedade desde que o homem precisou se deslocar no espaço, ora para exploração de novos territórios, procurando locais de fixação para sua sobrevivência, ora para comercializar. Ouvimos falar sempre em “rota comercial” que se configuram desde o mundo antigo, sendo o principal motivo de muitas formações urbanas. Partindo deste pressuposto, o homem sempre procurou encurtar distâncias com o menor custo possível (MERENNÉ, 2013, pg. 09). Ainda acerca da importância do tema para a geografia, o autor cita que, por ser transporte de importância multidisciplinar, está no centro das discussões geográficas:
 
O transporte é tanto o alfa e o ômega da organização dplupart des activités, qu'il s'agisse de l'agriculture, de l'industrie, du tourismea maioria das atividades, seja agricultura, indústria, turismo ou des services.ou serviços [...]– les transports constituent un secteur d'activités à part entière avec sa O transporte é um setor de negócios integral com a suapropre logique d'organisation spatiale, ses contraintes de localisation et ses própria lógica de organização espacial, suas restrições de localização eimpacts sur les autres activités. impactos sobre outras atividades (MERENNÉ, 2013, pg. 09).
 
            Na geografia econômica, o transporte traz conceitos espaciais como os nós confluentes entre rotas, redes ramificadas interagindo com epicentros fixos, locais onde há esta interação, interferências no meio físico e socioeconômico. Então, os fatores localização e distancia serão os primeiros elementos indispensáveis para pensar geografia econômica na ótica da circulação. A escolha de um determinado modal dependerá de fatores operantes de local, da escala, das características e qual função se atribuirá.